quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Eliminação de Embriões excedentários


O Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida o CNPMA explica que a legislação em vigor “é omissa quanto ao destino a dar aos embriões excedentários, para os quais não haja projecto parental, nem consentimento para que possam ser doados a outro casal, depois de ultrapassado o prazo máximo de três anos”.

Num documento, o Conselho defende que, nos casos em que “o casal, ou algum dos seus membros, não consinta a doação de embriões excedentários para terceiros, nem a sua utilização para fins científicos, findo o período máximo de três anos previsto na Lei, os embriões serão descongelados e eliminados”.

Nos casos em que o casal consinta na doação dos embriões para outro casal e/ou para fins de investigação científica, mas que não surja um casal receptor, nem projectos de investigação durante os três anos previstos para a criopreservação, o Conselho deliberou no sentido de “acrescentar a alternativa da descongelação e eliminação dos embriões”.

O CNPMA propõe que se legisle por forma a permitir que, a pedido dos casais beneficiários e em situações muito particulares, devidamente justificadas, os directores dos centros possam assumir "a responsabilidade de alargar o prazo de criopreservação dos embriões por um novo período de três anos” e que, decorrido o segundo período de três anos previsto na lei - e não obstante a autorização do casal doador - “os embriões que não sejam utilizados em benefício de um outro casal ou em projecto de investigação científica devidamente autorizado, possam ser descongelados e eliminados, por determinação do director do centro”.


Fonte:http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=30267&op=all#cont

Questão: Será correcto a criação de embriões excedentários? Deverão ser doados? E quanto à sua eliminação? Os embriões têm tantos direitos com um ser humano já desenvolvido ou são apenas "um grupo de células"?


Curiosidade:

Legislação portuguesa em relação à investigação com recurso a embriões

Artigo 9.o

1—É proibida a criação de embriões através da PMA
com o objectivo deliberado da sua utilização na investigação
científica.

2—É, no entanto, lícita a investigação científica em
embriões com o objectivo de prevenção, diagnóstico ou
terapia de embriões, de aperfeiçoamento das técnicas
de PMA, de constituição de bancos de células estaminais
para programas de transplantação ou com quaisquer
outras finalidades terapêuticas.

3—O recurso a embriões para investigação científica
só pode ser permitido desde que seja razoável esperar
que daí possa resultar benefício para a humanidade,
dependendo cada projecto científico de apreciação e
decisão do Conselho Nacional de Procriação medicamente
Assistida.

4—Para efeitos de investigação científica só podem
ser utilizados:
a) Embriões criopreservados, excedentários, em relação
aos quais não exista nenhum projecto parental;
b) Embriões cujo estado não permita a transferência
ou a criopreservação com fins de procriação;
c) Embriões que sejam portadores de anomalia genética
grave, no quadro do diagnóstico genético pré-
-implantação;
d) Embriões obtidos sem recurso à fecundação por
espermatozóide.

5—O recurso a embriões nas condições das alíneas a)
e c) do número anterior depende da obtenção de prévio
consentimento, expresso, informado e consciente dos
beneficiários aos quais se destinavam.

6 comentários:

  1. Será possível a criação do número exacto de embriões necessários ou haverá sempre excedentários?
    Concordo com a doação dos embriões excedentários para a realização do desejo de paternidade de casais infertéis.
    Quanto às restantes perguntas estou de acordo com a legislação portuguesas sobre o assunto.

    ResponderEliminar
  2. Olá!!!

    É dificil uma posição exacta, concordo com a doação de embriões xcedentários porque dá a possibilidade de casais com problemas de infertilidade, terem filhos. Mas na questão de passado se "destruir" o embrião, não sei muito bem o que pensar, o que é que nos diz a nós se esse embrião já tem direitos ou não? É dificil optar por algo nesse aspecto.

    Bjinho*
    Sara Sousa

    ResponderEliminar
  3. Não tenho uma opinião muito formada sobre este assunto, no entanto penso que naquelas técnicas em que a taxa de gravidez é muito baixa é impossível não deixar de haver embriões excedentários. Por outro lado, não concordo que estes sejam eliminados, pois apesar de tudo poderão a vir dar felicidade a muitos casais. Logo acho que devam ser doados.
    Quanto à legislação, concordo!
    BJs*

    ResponderEliminar
  4. Força amigos...está indo mesmo muito bem.
    Teresa Hilário

    ResponderEliminar
  5. Uma das questões mais importantes (que está disfarçada nessas três) é "quando começa a vida?".
    Pessoalmente considero que os embriões excedentários não passam de um "grupo de células", sem quaisquer características humanas formadas. Considero que a verdadeira vida tem inicio por volta dos 5 meses e meio de gestação, quando o feto já está desenvolvido, consegue responder aos sons e emoções, e sobreviveria, caso nascesse.

    Logo, não penso que seja errada a criação de embriões excedentários, pois aumentam a possibilidade de uma fertilização de sucesso. Não obstante, com o desenvolvimento científico crescente, creio que as taxas de sucesso das técnicas de PMA tenham tendência a aumentar, logo a necessidade de criar estes embriões irá diminuir, podendo até ser dispensável dentro de uns bons anitos.

    No que diz respeito à sua doação, concordo desde que com o consentimento de ambas as partes, pois, como já foi dito, poderão realizar o desejo de muitos casais inférteis.

    Agora quanto à eliminação, já é bastante relativo... esses embriões têm um "tempo" de vida limite? Bem, de qualquer forma, aos embriões para quais não haja projecto parental, nem consentimento para que possam ser doados a outro casal ou ser utilizados para fins científicos, penso que só lhes resta a eliminação. Eu falo por mim, mas muita gente não gostaria de ter um filho seu espalhado algures no mundo sem o seu consentimento!


    É impossível obter ou eliminar embriões de modo "ético", pois somos todos seres humanos e temos consciências distintas, por isso a noção de "ético" ou "não ético" é bastante relativa.
    Estes temas são cada vez mais urgentes, pois as leis existentes são escritas por linhas tortas, chegando por vezes a serem contraditórias, e implicam decisões cujo resultado é impossível que agrade a gregos e troianos.

    Beijinhos^^
    Ines à Brás

    ResponderEliminar
  6. Ora viva! Eis um blog com muito interesse.
    Gostaria de saber se é verdade que na actualidade se pode escolher o sexo dum filho através duma inseminação artificial?
    Apresento para debate o problema ético daí resultante.

    ResponderEliminar