
Em declarações à Lusa, João Silva Carvalho, presidente da SPMR - Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, referiu que, em Portugal, o número de ciclos de procriação medicamente assistida é muito reduzido quando comparado com o que aconselha a Sociedade Europeia de Reprodução.
Silva Carvalho exigiu mais apoio do Estado: «Esta situação deve-se ao facto dos casais inférteis não terem possibilidades económicas para custear os tratamentos, ao insuficiente apoio do Estado e de ele ser nulo, por parte das seguradoras. É uma situação que urge modificar», disse o presidente da SPMR.
Os tratamentos para a infertilidade realizados nos hospitais públicos são gratuitos, mas os casais têm sempre que suportar os custos da medicação, que rondam os mil euros por cada tratamento, disse.
Salientando o impacto económico, social e demográfico que as técnicas de combate à infertilidade estão a ter hoje, Silva Carvalho afirmou que a reprodução medicamente assistida representa já cerca de «três a quatro por cento das crianças que nascem na Europa».
De acordo com a SPMR, nos 25 países da União Europeia a taxa de fertilidade total aproxima-se actualmente de 1,5 crianças por mulher, um valor que está abaixo do nível necessário de substituição de 2,1 para sustentar a renovação da população.
Com o avanço da medicina, notou-se uma redução da taxa de mortalidade a nível europeu. Porém, a taxa de natalidade não sofreu qualquer aumento, mesmo dispondo a Medicina de meios para a elevar, nomeadamente o "combate" à infertilidade.
No entanto, estes meios não estão ao alcance de todos, muitas vezes por falta de apoio do Estado. Quais serão as justificações do Estado para não disponibilizarem mais apoios a estes casais? Será que estas técnicas que tentam solucionar o problema da infertilidade não justificam a existência de mais apoios, e os consequentes custos? Se estas técnicas não justificam os custos, porquê continuar a investigar? Ou será que estas técnicas são um excelente meio para aumentar a taxa de natalidade mas não são ainda bem vistas aos olhos da sociedade?